Conheça as Cachaças Artesanais de Paraty!

Famosas e até premiadas, as cachaças de produção artesanal da cidade de Paraty fazem um verdadeiro sucesso pelo mundo, sendo um grande atrativo turístico e cultural da região, no qual faz parte de toda a história de Paraty, desde o ciclo da cana-de-açúcar no Brasil.

As cachaças são de excelente qualidade, seguindo padrões e critérios de fabricação específicos. Seus alambiques de produção são abertos à visitação, em sua maioria ficam localizados em meio à Mata Atlântica, na Serra da Bocaina em lindos lugares, em meio à natureza e próximos das melhores cachoeiras da cidade!

Durante a visita ao alambique, você poderá conhecer os métodos de produção, degustar diversos tipos de cachaça e licores e ainda comprar a bebida em diversas versões (caramelada, envelhecida, licorosa, branca, azulada, cravo e canela, etc) em várias opções de tamanhos, ideais para levar de lembrança de sua viagem, para presentear alguém especial, colecionar, fazer drinks e se aprofundar ainda mais neste rico universo. Nos alambiques também são vendidos outros  tipos de produtos artesanais como doces, compotas, conservas, pimentas e muito mais, se tornando também um roteiro de compras de souvenirs em sua viagem, imperdível!

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Gostou da dica? Então compartilha! E logo após as fotos um artigo bem interessante com mais detalhes de toda a história da chegada da cachaça em Paraty.

   

     

     

APROFUNDE-SE NA HISTÓRIA DA CACHAÇA EM PARATY

De São Vicente, a cana-de-açúcar foi trazida para o litoral do Rio de Janeiro ainda no século XVI. Em Paraty, com mão de obra escrava de africanos e índios guaianás, a cana era plantada nos morros, onde as chuvas constantes não proporcionaram condições favoráveis para a produção do açúcar. Foi então que encontraram na fabricação da aguardente de cana uma alternativa para movimentar a economia local.

Não se sabe exatamente quantos alambiques havia na região no período do Ciclo da Cana-de-Açúcar, mas o uso da cachaça como moeda de troca por escravos na África e a participação de produtores de aguardente em conflitos históricos do século XVII, nos fazem supor que a fabricação do destilado já tinha grande importância econômica e influência política no Rio de Janeiro.

O conflito mais relevante da época foi a chamada “Revolta da Cachaça”. Em 1660, para inibir a produção da cachaça e valorizar a comercialização europeia, Portugal estabeleceu um excessivo imposto cobrado dos fabricantes da aguardente do Rio de Janeiro, que insatisfeitos com a taxação, se rebelaram contra a Metrópole. Aproveitando o levante, neste mesmo ano, Paraty começa uma série de movimentos buscando sua emancipação de Angra dos Reis e sua elevação à categoria de vila. Alguns anos depois, com apoio dos produtores de cachaça, ela se estabelece como “Vila de Nossa Senhora dos Remédios de Paraty”.

Com a descoberta de pedras preciosas em Minas Gerais, Paraty se torna uma importante rota por onde passavam mineradores, escravos e comerciantes. A indústria da aguardente aproveitou esse momento para se expandir e suprir uma nova demanda de mercado. Já no final do Ciclo do Ouro, em 1790, Paraty tinha 87 engenhos de fabricar aguardente.

A pinga era transportada de Paraty para o interior em barricas de madeira carregadas por mulas. No tempo da viagem, a cachaça, pelo contato com a madeira, acabava se tornando amarelinha. Hoje, podemos observar que em Paraty há um predomínio de produção de cachaças brancas, enquanto que em Minas Gerais, os produtores optam por armazenar suas cachaças em barris para que elas adquiram cor, aroma e sabor provenientes da madeira.

Com o declínio da mineração, Paraty encontrou outro período de riqueza social, cultural e econômica exportando o café produzido no Vale do Paraíba. O Ciclo  do Café se mostrou como o período de maior prosperidade para os produtores da aguardente paratiense. Ao contrário dos grandes casarões erguidos pelos Barões do Café que encontramos pela viagem, a arquitetura do centro histórico de Paraty revela que sua população urbana era formada principalmente por comerciantes. Em 1805, a indústria da cachaça paratiense já produzia e comercializava mais de 1600 pipas por ano (cada pipa tem em média 490 litros).

Com a crise da produção de café no Vale do Paraíba Fluminense na segunda metade do século XIX, a economia da região entrava em decadência. Como reflexo da crise, em 1852, foram produzidos apenas 413 pipas de aguardente em Paraty – um número muito inferior ao produzido no século passado. Em 1855, com a construção da ferrovia Dom Pedro II, que ligava São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, a cidade perde importância como rota de passagem por onde escoavam os produtos agrícolas e viajantes. O isolamento e as dificuldades econômicas, fizeram com que os donos de engenho, que acumularam riqueza no passado, apostassem na indústria de aguardente paratiense como forma de sair da crise. Em 1872, eram 53 engenhos produzindo 4090 pipas de aguardente por ano.

O que acabou desestabilizando a indústria da aguardente em Paraty foi a abolição da escravatura em 1888, tornando a mão de obra escassa e cara, afinal nunca foi trabalho fácil plantar cana-de-açúcar na irregular e chuvosa Serra do Mar. Apesar das crises que levaram a diminuição do volume de cachaça, Paraty nunca deixou de produzir a sua aguardente de cana. A produção paratiense era tão famosa e valorizada no Império que a própria palavra paraty passou a ser usada como sinônimo de cachaça.

Com a criação da estrada Cunha-Paraty em 1954  e da rodovia Rio-Santos na década de 70, Paraty volta a ser uma importante rota de passagem, agora valorizada pelo seus atrativos turísticos, como as belas praias e monumentos históricos e culturais. A indústria da cachaça viria a encontrar um novo período de prosperidade com a produção voltada para abastecer a demanda local trazida por visitantes de todas as partes do mundo. A Festa da Pinga de Paraty, comemorada todos os anos na cidade com milhares de pessoas, marcou esse novo momento da cachaça paratiense sendo realizada pela primeira vez em 1982.

Em 2013, são sete produtores de cachaça artesanal na cidade. A maioria deles produz no máximo 20 mil litros de cachaça por ano, um número pequeno comparado com o volume produzido no passado, mas coerente com a proposta de priorizar a qualidade e não a quantidade da bebida fabricada. Um dos maiores desafios dos produtores locais para aumentar o volume de produção é ter autonomia na cana-de-açúcar plantada e colhida nas proximidades dos alambiques. Por falta de recursos, estrutura e terras, considerando que Paraty é cercada por reservas naturais, os produtores locais ainda precisam comprar boa parte da cana de outras cidades.

Os engenhos que continuam produzindo cachaça seguem as receitas dos seus antepassados e acreditam na criação de uma identidade local – feito que garantiu o selo de Indicação Geográfica concedido pelo INPI em 2007. Ao conversar com os produtores, vemos que eles acreditam na valorização do processo de produção próprio de Paraty, como o uso da mesma variedade de cana, a fermentação utilizando leveduras selvagens e fubá de milho, a destilação de uma cachaça com teor alcoólico acima dos 42% e priorizando uma boa cachaça branquinha, aquela que prevalece o aroma da cana-de-açúcar.